Vivi muitos anos naquela esquina,vi gerações passando por mim...
... até que o homem fez valer minha sina,
fez chegar mais cedo o fim...
Aquela esquina era tão vazia,
éramos só eu e os meus irmãos...
... na época, lá de baixo eu via,
como eram grandes os anciãos...
- Enquanto, eu crescia,
a cidade em volta se desenvolvia...
... tudo ainda acontecia,
daquele jeito que devia...
As formigas vinham trabalhar,
as aranhas, tecer...
... os pássaros vinham namorar,
já os humanos... só colher...
Eu já não era tão pequeno,
também não era um ancião...
... já podia sentir o sereno,
e a primavera virar verão...
- Tudo ainda acontecia,
daquele jeito que devia...
... mas enquanto eu crescia,
a cidade em volta se desenvolvia.
Muitos animais me visitavam,
fui até o lar de vários...
... alguns humanos me apreciavam,
mas sempre vinham uns otários...
Lembro bem daquela esquina,
mas para mim, não há mais esperança...
... porque a esquina foi ficando fina,
restando apenas as lembranças...
- Daquele jeito que devia...
... tudo ainda acontecia,
mas a cidade em volta, se desenvolvia...
... enquanto eu ali crescia...
Cortaram a mim e aos meus irmãos,
não há mais verde e nem anciãos...
... restam apenas troncos cortados,
daquela esquina fomos tirados...
Não tive chance de crescer,
mas muito ali pude aprender...
... até a cidade se desenvolver,
e minha família inteira morrer...
- Só que agora, já tanto faz,
os animais por ali, passam reto...
... pois no lugar em que a “família árvore” jaz,
está a selva... de concreto........
Robson Camargo
(escrito em 11/09/2012)
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